A falsa humildade não é bíblica

A religião muitas vezes aprisiona os crentes no que parece ser humildade, mas que, na verdade, é uma forma silenciosa de incredulidade. Muitos foram ensinados que ser espiritual é pensar pequeno, minimizar seus dons, evitar a ambição e resistir a abraçar plenamente o que Deus colocou em suas vidas. No entanto, essa mentalidade entra em conflito com as palavras do apóstolo Paulo em Romanos 12:3, onde ele exorta os crentes a não pensarem de si mesmos “além do que convém”, mas sim a pensarem “com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um”

Paulo não está instruindo os crentes a terem uma opinião negativa de si mesmos. Ele não está defendendo a insegurança ou a auto-rejeição. Em vez disso, ele está clamando por precisão. O julgamento sóbrio não é autodepreciação; é autoalinhamento. É a capacidade de se enxergar claramente à luz do propósito, da graça e do chamado de Deus. O perigo que Paulo aborda não é a confiança, mas a confiança mal direcionada — posicionar-se em uma área onde a fé e a graça não têm capacidade de sustentar a tarefa.

A cada pessoa foi dada uma medida de fé, e essa medida tem um propósito. A fé não é distribuída arbitrariamente; ela é alocada de acordo com o desígnio divino. Se Deus chama alguém para governar, curar, construir, criar ou liderar, Ele também concede a fé necessária para atuar nessa esfera. Caminhar com confiança nesse chamado não é orgulho; é obediência. Ter uma autoestima elevada só se torna um problema quando a pessoa tenta ocupar uma posição que sua fé não suporta. Como as Escrituras nos lembram: “O dom de um homem lhe abre caminho e o leva à presença de grandes homens” (Provérbios 18:16). Os dons criam acesso, mas somente quando são administrados dentro dos limites da graça.

Uma das grandes perdas dentro da igreja é a normalização da falsa humildade. Muitos crentes foram condicionados a acreditar que afirmar seu valor e concordar com o que Deus diz sobre seu chamado é de alguma forma não espiritual. Na realidade, muitos já assumiram seu chamado, mas lutam para estar em paz com ele. Eles atuam naquilo para o qual Deus os chamou, mas hesitam em afirmá-lo abertamente porque estão mais preocupados com a forma como as pessoas os percebem do que com a definição que Deus lhes deu.

No entanto, a Bíblia nos diz claramente que “somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos” (Efésios 2:10). Ser obra de Deus é carregar o Seu selo de aprovação. A questão não é se Deus nos atribuiu valor, mas se discernimos que tipo de obra-prima somos.

A medida de fé concedida a uma pessoa não deve permanecer estática. Ela foi concebida para crescer por meio da fidelidade, da mordomia e da obediência. A instrução de Paulo para pensar com sobriedade não é um convite para se manter pequeno, mas um chamado para permanecer alinhado. O próprio Deus declara: “Eu sei os planos que tenho para vocês… planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro” (Jeremias 29:11). Cada vida carrega um propósito divino, e cada pessoa foi agraciada de acordo com esse propósito.

Ao entrarmos em 2026, o chamado é claro. É hora de os crentes avaliarem suas vidas com sobriedade. Isso requer compreender os dons de cada um, reconhecer a graça que possuem e tornarem-se fiéis administradores daquilo que Deus lhes confiou. Não é tempo de se menosprezar, nem de se esforçar além da capacidade. As Escrituras nos asseguram que “quando os homens forem abatidos, então dirás: ‘Há um exaltamento’” (Jó 22:29). Esse exaltamento vem por meio do alinhamento — alinhamento com a Palavra de Deus, o Seu tempo e o Seu propósito.

Você possui valor. Você possui graça. Você possui uma medida de fé destinada a ser ativada, multiplicada e expressa. Este não é um chamado à falsa humildade, mas à sobriedade e clareza. Quando fé, propósito e obediência se alinham, a plenitude do que Deus planejou começa a se revelar.

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