Crescendo até à maturidade

Ensinamentos do Apóstolo Humphrey

Recusar distrações espirituais

Muitos crentes passam anos a procurar coisas que parecem espirituais, mas nunca amadurecem verdadeiramente na plenitude daquilo para que Deus os chamou. Há conversas, ensinamentos, palavras proféticas e tendências espirituais que soam profundas e espirituais, mas não produzem crescimento, disciplina, transformação ou propósito. O apóstolo Paulo alertou Timóteo para este perigo em 1 Timóteo 4:7, quando escreveu: “Rejeita as conversas profanas e os papos de velhas”. Ser profano significa tratar os assuntos espirituais com descuido ou sem verdadeira reverência. “Palavras de velhas” refere-se a mitos, discussões espirituais vazias, ensinamentos insensatos e conversas que soam espirituais, mas não edificam o crente para a maturidade.

O desafio para muitos crentes é que estão a construir as suas vidas em torno de conversas, histórias e ensinamentos que soam espirituais, mas não produzem qualquer valor. A caminhada cristã nunca foi feita para ser sustentada por entusiasmo, experiências emocionais ou buscas intermináveis ​​de profecias. A maturidade espiritual requer discernimento, disciplina, oração, obediência e um relacionamento pessoal com Deus.

A carne forte pertence aos maduros

A Bíblia diz em Hebreus 5:14 que “o alimento sólido é para os adultos, os quais, pela prática, exercitaram os sentidos para discernir tanto o bem como o mal”. Alimento sólido não é meramente ouvir revelações de outra pessoa. Alimento sólido é o que se recebe pessoalmente através da oração, meditação, obediência e intimidade com Deus.

A carne forte fala de verdades e disciplinas que nem sempre são imediatamente palatáveis ​​ou fáceis de assimilar. Exigem maturidade espiritual, constância, sacrifício, perseverança e prática. Contudo, por meio do exercício contínuo, da oração, da disciplina e da obediência, o crente desenvolve gradualmente a capacidade de compreender, vivenciar e praticar as coisas mais profundas de Deus.

Da mesma forma, alguém pode passar anos a investir numa área para a qual nunca foi chamado e, como resultado, tornar-se improdutivo apesar do esforço e da sinceridade. Uma pessoa também pode passar anos a adquirir conhecimento, até mesmo princípios espirituais, que não estão alinhados com o chamamento e o propósito específicos que Deus designou para a sua vida. Neste caso, o esforço está presente, mas falta o alinhamento e, por isso, a frutificação é limitada.

Quando a Bíblia diz em 2 Timóteo 2:15: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”, não se está a referir apenas ao estudo geral, mas ao estudo focado e direcionado dentro do contexto da sua missão. É um apelo a estudar em consonância com o seu chamamento, a crescer na área do seu propósito e a firmar-se naquilo que Deus lhe revelou. A verdadeira aprovação não se resume apenas ao conhecimento, mas também à precisão, ao alinhamento e à fiel administração da direção divina.

O propósito foi estabelecido antes do nascimento

É possível passar anos a investir, trabalhar e construir numa área que Deus nunca destinou para a pessoa. A Bíblia diz em Jeremias 1:5: “Antes de te formar no ventre, Eu te conheci; antes de nasceres, Eu te consagrei e te designei profeta às nações”

Ainda antes de Jeremias nascer, já existia uma ordenação ligada ao seu destino. Já existia um propósito ligado à sua vida. Jeremias poderia ter escolhido não trilhar o caminho para o qual Deus o chamou, mas tudo o que dizia respeito à sua provisão, crescimento, chamamento e destino estava intrinsecamente ligado à sua missão. A sua missão não estava separada do seu sustento, mas estava diretamente ligada a ele.

Muitas pessoas, porém, passam anos da sua vida focadas em áreas para as quais Deus nunca as chamou e, ao fazê-lo, afastam-se gradualmente da frutificação e do alinhamento. A questão que nos leva a refletir, portanto, é: qual é o propósito de Deus para a sua vida e está realmente a viver no seu cumprimento?

Compreender a sua embarcação

Muitas pessoas desperdiçam anos a focar-se em áreas para as quais Deus nunca as chamou. É por isso que a Bíblia diz em 2 Timóteo 2:20 que “numa grande casa não há somente utensílios de ouro e de prata, mas também de madeira e de barro”. Isto fala da diversidade dentro do reino — diferentes utensílios, diferentes graças, diferentes missões e diferentes propósitos.

Nesta grande casa, uns são chamados vasos de ouro, outros de prata, e outros de madeira ou barro. Contudo, a questão não é comparação nem competição. A verdadeira questão é compreender que tipo de vaso é e discernir para o que Deus o chamou. A clareza de identidade e propósito é o que preserva o foco e a frutificação no reino.

A Bíblia diz ainda em 2 Timóteo 2:21: “Portanto, se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra”. Isto revela um princípio importante: mesmo depois de descobrir o propósito, permanece a responsabilidade pessoal de purificação e alinhamento.

Purificar-se significa remover intencionalmente tudo o que é incompatível com o chamamento divino — tudo o que contamina o caráter, enfraquece a disciplina, desvia o foco ou limita o crescimento espiritual. É o processo contínuo de separação de influências, hábitos e ambientes que resistem à plenitude da missão que Deus deu à nossa vida. Ao fazê-lo, o crente torna-se um vaso para a honra, santificado, útil e preparado para toda a boa obra.

Estude para se mostrar aprovado

O propósito no reino é descoberto através da compreensão do coração e da natureza de Deus, mas, após descobrir o propósito, é também necessário ter força para cumprir o que Deus designou. É por isso que Paulo disse a Timóteo em 2 Timóteo 2:15: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”

Pode ter sido chamado, mas ainda precisa de estudar. Pode ter sido ungido, mas ainda precisa de crescer. Pode ter um propósito, mas ainda precisa de se exercitar espiritualmente para amadurecer e alcançar o que Deus reservou para a sua vida.

A pergunta que todo o crente deve fazer é: Para que área Deus me chamou? E o que estou a fazer para crescer nesta área? Reuniu livros relacionados ao seu chamado? Desenvolveu disciplina na oração, no estudo, no jejum e no crescimento pessoal?

Exercitando-te para a piedade

No reino, se não fizer exercício, não crescerá. É por isso que Paulo diz: “Rejeita as conversas profanas e as fábulas de velhas”. Rejeite conversas, distrações, ambientes e influências que não trazem qualquer valor divino. Rejeite tudo o que enfraquece o seu crescimento e a sua busca pelo propósito. Exercite-se na piedade.

Fazer exercício nunca é fácil. Por vezes, as maiores críticas que precisa de rejeitar não vêm de outras pessoas, mas do seu ambiente. O seu ambiente pode dizer que nunca se vai destacar. A sua origem pode dizer que nunca terá sucesso. As suas circunstâncias podem dizer que está limitado. No entanto, Deus pode ter-lhe reservado um destino para os negócios, a liderança, o ministério, a influência ou o impacto.

O ambiente tenta constantemente definir o que pode produzir, mas o propósito é determinado por Deus.

Crescer exige sacrifício

Tal como o exercício físico alonga o corpo através da dor e do sacrifício, também o crescimento espiritual exige disciplina. Há momentos em que se sente cansado, desanimado e incapaz de continuar. Há momentos em que o sacrifício parece doloroso. No entanto, o crescimento nunca acontece sem exercício.

Quanto mais uma pessoa se exercita fisicamente, mais se apercebe que amanhã exigirá outro sacrifício, outro nível de disciplina e outra decisão de continuar. Da mesma forma, a maturidade espiritual requer sacrifício contínuo, disciplina contínua e entrega contínua a Deus.

Um crente pode optar por não se exercitar espiritualmente, mas no momento em que deixa de se exercitar, deixa de crescer e de se tornar a pessoa que Deus o chamou a ser.

Meditação e foco espiritual

Paulo disse a Timóteo em 1 Timóteo 4:15: “Medita nestas coisas; dedica-te inteiramente a elas, para que o teu progresso seja manifesto a todos”. Há coisas específicas em que Deus quer que cada crente se concentre, de acordo com a sua missão e propósito. Quando uma pessoa se entrega completamente àquilo para o qual Deus a chamou, o crescimento torna-se visível.

Por vezes, o processo de poda de Deus parece doloroso, mas a poda não é um castigo. Em João 15, Jesus revela que o Pai poda os ramos frutíferos para que dêem mais fruto. Deus remove distrações, desejos nocivos, relacionamentos errados, focos errados e caráter inconsistente porque Ele já conhece o propósito da sua vida.

Tornar-se um Vaso de Honra

Hoje, o chamamento é simples: exercitar-se na piedade. Ore. Jejue. Estude. Cresça. Amadureça para se tornar naquilo para que Deus o chamou. Recuse distrações que não contribuam para o seu propósito. Recuse conversas que enfraqueçam o seu crescimento espiritual. Recuse ambientes que tentem redefinir o seu destino.

Torne-se um vaso para a honra, santificado e preparado para toda a boa obra.

E que esta seja a nossa oração: “Pai, ajuda-me a crescer e a tornar-me a pessoa que me chamaste para ser. Elimina tudo o que me torna improdutivo. Faz de mim um vaso para honra. Remove toda a inconsistência do meu caráter e fortalece-me para caminhar plenamente em integridade, disciplina e propósito.”

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