Viverá e não morrerá

Ensinamentos do Apóstolo Humphrey

Há pessoas que estão vivas, mas mortas. Fisicamente, respiram, caminham, existem — mas os seus corações e espíritos há muito se renderam. Os desafios da vida, a rejeição, as portas fechadas e os períodos de resistência roubaram-lhe silenciosamente a esperança. Elas desistiram da sua própria vida.

A Bíblia oferece-nos uma imagem impressionante disto mesmo através das palavras de Moisés a Rúben: “Que Rúben viva, e que não morra!” (Deuteronómio 33:6). À primeira vista, parece redundante — a tribo de Rúben estava bem viva. Mas Moisés percebeu o que muitos não vêem: a vida sem vitalidade, a vida sem esperança, a vida sem propósito, é uma espécie de morte. Há pessoas que, embora existam, perderam a capacidade de sonhar, de ter esperança, de acreditar que o amanhã pode ser melhor.

Após o fim de um casamento, alguns morrem por dentro. Após reveses na carreira ou empreendimentos falhados, outros deixam de ter esperança de crescimento. Mesmo ao acordar, não transportam qualquer visão; mesmo ao respirar, não transportam qualquer alegria. Estão despertos, mas mortos.

O principal teste para saber se estamos realmente vivos reside nos nossos sonhos. Ainda sonha? Acredita no amanhã? Confia que as circunstâncias podem mudar, que as portas se podem abrir e que a vida ainda o pode abençoar? A Bíblia recorda-nos: “A corrida não é para os ligeiros, nem a batalha para os fortes; mas o tempo e a oportunidade acontecem a todos” (Eclesiastes 9:11). As oportunidades e conquistas surgem, mas apenas para aqueles que se recusam a desistir. Muitos já pararam de correr — desistiram precisamente nos momentos em que a mudança poderia acontecer.

Considere a história de um burro preso num poço. Um homem, sem ver saída, resignou-se a enterrar o burro vivo. Começou a deitar terra no poço com uma pá. Contudo, o burro não se rendeu. A cada pedaço de terra que caía, sacudia-a e subia um degrau, até ficar acima do próprio poço. Muitos de nós somos esse burro. A vida colocou-nos em poços profundos. Traumas, perdas, rejeições e desilusões enterraram-nos. Mas somos chamados a resistir ao desespero, a livrarmo-nos do peso da vida e a reerguermo-nos. “Somos mais que vencedores por meio daquele que nos amou” (Romanos 8:37). Cada grão de adversidade pode tornar-se um passo em direção à nossa vitória, se nos recusarmos a desistir.

A bênção de Moisés sobre Rúben comporta uma dupla promessa: sobrevivência e multiplicação. “Que ele viva, e que os seus homens não sejam poucos” (Deuteronómio 33:6). A vida não se resume a existir — trata-se de crescer, florescer e multiplicar a influência. Quando nos recusamos a desistir, quando decidimos viver mesmo no meio das provações, posicionamo-nos para a expansão. “Porque Eu conheço os planos que tenho para vós”, oráculo do Senhor, “planos de vos fazer prosperar e não de vos causar dano, planos de vos dar esperança e um futuro” (Jeremias 29:11). A esperança adiada pode adoecer o coração (Provérbios 13:12), mas a esperança renovada restaura a alma.

Hoje, pode sentir-se preso, exausto ou pronto para desistir. Mas este é o momento de declarar a vida sobre a morte. Escolha levantar-se. Escolha ter esperança. Escolha viver. Cada contratempo não é o fim — é a base para uma reviravolta. Cada porta fechada pode tornar-se uma plataforma para um novo começo. Deus não te chama à resignação, mas à ressurreição — uma vida repleta de propósito, visão e destino.

Levante-se, sacuda a poeira do desespero e proclame: Eu viverei. Deixe que a sua esperança seja renovada, os seus sonhos reavivados e o seu espírito revigorado. A vida não acabou; ela está à espera que se levante. As palavras de Moisés ressoam em si hoje: viva. Não morra.

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