No mundo atual, movido pelo conforto, é fácil ignorar uma verdade intemporal: o sofrimento dá, muitas vezes, origem à inovação.
Ao estudar história, sobretudo o boom industrial dos séculos XIX e XX, um fio condutor ligava muitos dos inventores, empreendedores e pioneiros mais influentes:nasceram no meio das dificuldades. Pobreza. Guerra. Rejeição. Perda. Estes não foram obstáculos, mas sim degraus para o sucesso.
Uma vez li sobre uma criança que abriu um negócio com apenas 11 anos. Numa idade em que muitas crianças, hoje em dia, são consumidas pelos ecrãs e pelo entretenimento, este menino foi movido pela necessidade. Criado na pobreza, foi impulsionado pela urgência de sobreviver — e dessa urgência surgiu a criatividade.
Dizem que a necessidade é a mãe da invenção, mas eu acredito que a aflição é a parteira. As Escrituras dizem: "Eu te refinei, mas não como a prata; eu te provei na fornalha da aflição" (Isaías 48:10). Esta fornalha não foi feita para destruir, mas para desenvolver. Para refinar. Para produzir algo maior.
Contudo, nos nossos tempos modernos, o conforto tornou-se tanto uma bênção como uma maldição. Os nossos filhos são bem alimentados, vestidos e entretidos — mas raramente desafiados. Os sistemas de facilidade embotaram o sentido de responsabilidade. Provérbios 6:10-11 adverte: “Um pouco de sono, um pouco de cochilo, um pouco de cruzar os braços para descansar — e a pobreza virá sobre ti como um ladrão”.
Isto não é apenas um alerta contra a preguiça — é uma advertência sobre a complacência espiritual e mental. É o conforto que mata a motivação. É a conveniência que mata a criatividade. Jesus proferiu uma verdade impactante quando disse: “Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto” (João 12:24). Esta morte representa a pressão. A morte do conforto. O fim da facilidade. E dessa morte, nasce o fruto.
Será que aquilo a que chamamos luta é o próprio solo onde Deus plantou a nossa grandeza? Será que a dificuldade que evitamos é exatamente a condição necessária para desbloquear o nosso destino?
Eu costumava dizer que é difícil construir em tempos de guerra. Mas a história mostra-nos o contrário. A guerra impulsionou muitas vezes os maiores progressos, porque a urgência gera inovação. Os filhos de Issacar “tinham entendimento dos tempos, para saber o que Israel devia fazer” (I Crónicas 12:32). Os nossos tempos exigem o mesmo entendimento — não apenas para resistir, mas para construir.
Para todos os que estão a passar por dificuldades neste momento: não desperdicem a vossa dor. Esta pressão pode ser o impulso que os leva ao seu propósito. Esta aflição pode ser o óleo da unção que está a ser preparado. Romanos 5:3-4 recorda-nos: “Nos gloriamos nas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz perseverança; a perseverança, um caráter aprovado; e o caráter aprovado, esperança.”
Que não nos deixemos embalar pelo sono fácil. Que não nos deixemos amolecer pelo conforto. Como adverte a Bíblia: “Um pouco de sono, um pouco de sesta…”— e o resultado é a pobreza, a estagnação e as oportunidades perdidas.
Uma vez, em Pretória, na África do Sul, ensinei que muitas pessoas nunca vêem o seu testemunho porque não estão dispostas a morrer. Não estão dispostas a sacrificar-se. Mas a grandeza exige ambos.
Sacrificará o conforto para produzir aquilo para que Deus o chamou? Abraçará o fogo purificador para que possa carregar o peso do destino?
Como Paulo disse: “Quando sou fraco, então sou forte” (2 Coríntios 12:10). A força não nasce na facilidade, mas sim na aflição.
Deus abençoe